
![]() ![]() ![]() |
Meu perfil BRASIL, Sudeste, BAURU, Homem, de 26 a 35 anos, English, Arte e cultura, Cinema e vídeo MSN - alezuza@hotmail.com |
|

Observar sempre foi um vício. E é feito de maneira incosciente, diria até, infantil. Domingo, ao acordar, decidi sair sozinho. O sol estava agradável e o tempo convidativo. Andei durante umas duas horas e, sem falar com ninguém, somente fiquei a observar. Porém, ao retornar para a casa, na Frei Caneca, vi uma mulher de seus trinta anos, muito bonita, com um saco preto na mão e chorando. Ao acompanhar a direção dos seus olhos para saber o porquê do seu lamento, notei o seu supostamente cão, morto, na guia da calçada. Como gosto muito de bichos e, já passei pela experiência de perda, tomei as dores dela e, automaticamente, me emocionei. Ao mesmo tempo fiquei imaginando como aquele domingo que, para mim estava tão gostoso e tranqüilo, passaria a ter um outro gosto para ela ao ter que recolher o seu bicho de estimação em uma calçada.
Por outro lado, figuras antes ignoradas, tornam-se "vistas". Também na Frei Caneca, há um mendigo, com uma das vistas totalmente branca por algum tipo de doença ou sei lá o quê, que fica recostado sempre em um poste amarelo de sinalização. Ontem, quando me aproximava, o vi conversando com um homem de seus 35 anos, bem aparentado e acompanhado de seu cachorro. Em um discurso inflamado ele dizia que "aqui só passa pessoas boas. Gente da paz...", e dizendo isso ele apontou para mim, que passava muito rapidamente. Comecei a rir, olhando para trás. O engraçado é que num rabo-de-olho, ele leu que na minha camiseta estava escrito "paz" e como ferramenta, em seu discurso de convencimento, construiu exemplos para a sua conversa com o transeunte.
E, por que não, continuando na famosa Frei, hoje, após desviar de galhos que caiam na rua após serem serrados por uma equipe da prefeitura -creio eu- , cruzei com um tiozinho que rompeu as paredes de seu quarto e foi às ruas de pijama de cetim prata e, ainda por cima, brilhante. Na hora, me lembrei dos integrantes do Erasure, com aquele estilo todo kitsch, porém, a roupa parecia mesmo um daqueles conjuntinhos "discretos" do chato Dj Zé Pedro.