
![]() ![]() ![]() |
Meu perfil BRASIL, Sudeste, BAURU, Homem, de 26 a 35 anos, English, Arte e cultura, Cinema e vídeo MSN - alezuza@hotmail.com |
|

Meses atrás, ao comentar com as pessoas em Bauru sobre minha mudança para São Paulo, sempre pintava em questão de minutos o discurso sobre a violência na cidade. Como não sou tapado nem nada, sabia tais conversas possuiam a sua veracidade, porém, acho que o ser humano sempre tende- às vezes enfia o pé mesmo- ao exagero.
Desde que estou aqui nada muito assim aconteceu em relação à isso. Somente um episódio menos grave rolou. Descendo a Frei, por volta da meia-noite, em uma noite de muito calor, comia um sandubão tranqüilamente quando fui notado por uns 6 meninos de rua, com idades entre 15 e 19 anos. Um deles pediu o meu lanche e, eu, na chatisse que me compete, olhei com um olhar de desdém e o ignorei. Recebi de volta algo do tipo "se não der vou roubar o seu lanche". Não apertei o passo e nem sai gritando. Eles também não se manifestaram mais. Achei uma afronta e sei que isso é realidade de uma cidade que não comporta tamanha desigualdade social, porém, ajudo da maneira na qual considero correta e não é dando o meu alimento(sim, estava esfoemado) a um bando de moleques com pets de cola na mão, que faria de mim um cidadão exemplar e nem é essa a minha intenção.
Ontem, voltando do cinema com o Fabrício - assistam "O segredo de Vera Drake" -, fui surpreedido por um homem de seus 40 anos que, em um tom acima do coloquial, pediu para falar conosco- acho que era vendedor de alguma coisa. O tom da sua voz me assustou e ao sentir a minha interjeição, tentou me segurar pelo braço, o que me deixou mais puto ainda e, continuei a andar deixando-o a falar sozinho.
Isso só ilustra, principalmente a reação com o pobre homem, o quanto fiquei assustado com o que aconteceu na noite de domingo. Mas não é assustado em relação a medo e, sim, no que se refere à indiferença das pessoas caso alguém agrida o próximo e, todavia, nenhuma atitude será tomada. E coube-me a mim responder a mesma pergunta. Eu faria alguma coisa caso presenciasse um ato de violência? Sem pensar responderia que sim. Após alguns segundos titubearia um pouco e garantiria positivamente caso fosse alguém muito querido. Mas, volto atrás e salientaria que algum tipo de atitude eu acabaria tomando.
Voltando a noite de domingo. Após uma tentativa frustrada da patota querer se divertir na Ultra, uma parte da caravana optou pelo Bailão. Perto da uma, após o set com as músicas infantis (sempre as mesmas, por sinal), pensei que era hora de irmos e lembrei-me que o Paulo precisava acordar logo para trabalhar e, então decidimos ir. Aproximando-me do carro, já com a mão no bolso na busca de um trocado para dar ao guardador, ouço o Paulo dizer: "Roubaram o meu carro!". A princípio, como faço o mesmo, pensei tratar-se de uma brincadeira. Mas não era. O vidro aberto e a porta entortada evidenciaram que o furto havia sido praticado. Olhei para os lados e para a rua e constatei um ambiente com pleno movimento de transeuntes, inclusive de michês em seus pontos fixos e do guardador, que, como não querendo nada, aguardava uma colaboração pelos "serviços prestados" (!). Confesso que demorou para cair a ficha, não a do roubo, mas a de como um ato desses pode acontecer num ambiente totalmente "acordado" com a rua em questão. Dentro do carro, pensei em abrir a porta e ir buscar informações ou até mesmo discutir com o guardador, mas sentia apenas um ar de conformismo no Paulo, lógico que a contra-gosto, algo do tipo, "não há o que fazer".
Horas antes, ao procurar uma vaga para estacionar perto da Ultra, perguntei ao Paulo por que ele não parou em determinado espaço e ele disse que era muito escuro e revidei questionando se ali, naquela rua dos Jardins, era perigoso. A resposta foi afirmativa. Horas depois, descobri que qualquer rua pode ser perigosa, já que há interesse de poucos em manisfestar-se contra esse tipo de agressão. Sim, trata-se de uma, afinal, se temos direitos e o nosso discurso é o de que vivemos em grupo e em sociedade, a quem recorrer em uma situação dessas? O guardador não viu nada e não possui informações, os que passaram pela calçada e viram, fingiram que nada acontecia. Quanto ao policiamento no local, este, era inexistente.
Sim, moro em São Paulo e descobri isso, já que agora, tenho uma história para contar aos amigos do interior, quando eles dizerem o quão essa cidade é violenta.
Porém, é justo retratar que Bauru, proporcionalmente, é até mais violenta que a metrópole em questão. Só da Anette roubaram um carro inteiro (no estacionamento do Paõ de Açucar em uma dia da semana à tarde), e, em outra ocasião, na frente da casa da Katarini, em um domingo de churrasco, levaram o seu toca cds. Ah...do Elton tambpem levaram um carro e foi encontrada a carcaça na estrada. Do meu, abriram o capô e levaram o estepê. Da Sonia, entraram em sua casa e ........