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Fábio uma vez no pátio da Universidade me disse: "Assisti um filme em Ourinhos que vc vai adorar...'Clube dos Corações Partidos'...assista!".  A partir desse dia comecei a vasculhar locadoras aqui em Bauru que contivesse em seu acervo o "dito-cujo". Nunca o encontrei. Ontem, durante o almoço, ele veio com a surpresa: "Achei o filme aqui em Bauru". No mesmo dia passei na locadora e loquei o Dvd.

O filme supreendeu-me pois nada mais é do que o universo com o qual convivo e pertenço há um certo tempo. Oito amigos, cada um com sua particularidade, porém, fragmentados e retratados como aquelas figuras encontradas em qualquer roda gay com mais de 10 pessoas. Há o bonitão que aproveita-se disso para ficar e chutar todos, o feio que usa de seu humor ferino para esconder suas frustrações, o bonito, porém maduro, que passa por aquela problemática fase de transição de não querer somente sexo, entretanto, ainda não preparado para o amor, o sem personalidade que vive à sombra do namorado (inclusive se droga para acompanhá-lo), a bicha afetadíssima e divertida, o entojado que leva um pé na bunda do namorado por não valorizá-lo e depois fica correndo atrás e o senhor, que vive há mais de 20 anos com o companheiro e que todos se indagam sobre o segredo de viver tantos anos juntos.

O filme é fiel as festas, ao humor sarcástico dos gays, ao consumismo excessivo, talvez, para suprir carências e a disputa de mercado existente para ver "quem fica com quem". Não sejamos hipócritas e mongos: isso é fato! Em uma cena memorável, o que se acha feio choraminga para o velho sobre a sua falta de pontos atrativos. Esse, experiente e calejado diz lhe: "Nem todos somos iguais. Nem todos são héteros. Nem todos são lindos. A maioria são gays e normais. E esses, geralmente, são os mais fortes".

Durante o filme vi vários amigos meus ali, e é óbvio, enquadrei-me em vários momentos. Vi retratadas as mesmas falas, os mesmos comportamentos, os medos, as atitudes com as quais convivo e pertenço. Não vivo somente em um segmento, tenho inclusive muitos amigos héteros e que convivem respeitosamente com a minha sexualidade. Porém, mesmo não me isolando em guetos, sou fragmento desse segmento. Não é complicado, é?

Portanto, independente de como você seja, um gay que se enquandra em qualquer um desses esteriótipos, um amigo de gay, um parente de gay, ou que simplesmente não convive com nenhum gay, porém respeita as diferenças, boas energias nesses dia! Não sou religioso e considero-me um quase agnóstico, porém, acho que o que é valido nessa data é o espírito de fraternidade e a aproximação que as pessoas passam a ter umas com as outras. Então Feliz Natal!








- Postado por: alessandro às 21h08
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Eu sempre digo: nada como uma noite bem dormida para as coisas se acalmarem. Ontem evitei ir à reunião com a galera para decidir os pontos pendentes em relação ao Ano Novo. Estava com um péssimo humor e quando fico assim, prefiro ficar só. Fui para casa e vi Piratas do Caribe e Procurando Nemo, ambos comprados por um preço bem pechincha.

Hj, recebi um proposta muito bacana e interessante do Ale Lima. Além da proposta em si, vi isso como algo do tipo "As coisas acontecem naturalmente". Achei o gesto dele extremamente simpático e cordial. Ao sair para o almoço para comprar algo no Pão de Açúcar cruzei com o Fábio na calçada, esperando o Elton para irem almoçar. Convidou-me para o almoço e, no começo exitei um pouco mas acabei aceitando o convite. Foi ótima a companhia de ambos. Papo bom, massagem no ego e a companhia de pessoas que eu conheço e respeito a anos. Em seguida, passamos no café e a conversa continuou boa. Argumentos pertinentes, sinceridade em pauta e o principal: todos ouviam e acrescentavam na discussão.

Mais tarde, combinei com o Gustavo, vou ao cinema. Talvez ver Xuxa. Não tenho preconceito em relação à filmes e só posso criticar e elogiar aquilo que vejo, escuto ou vivo.

PS: Vi, escutei e tentei prestar atenção no filme, então, um conselho: todos longe do cinema...rs...o filme é muito fraco, com um roteiro perdido e em poucos momentos dá para ser levado a sério...uma pena!

Falando nela, uma fotinho de 1990 para matar a saudade:








- Postado por: alessandro às 14h38
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É engraçado como os pensamentos vêm e do nada as pessoas se lembram daquilo que aconteceu anos atrás. Estava aqui trabalhando e me veio cenas que eu nem me lembrava e, conseqüentemente, uma coisa desencadeia outra. Ontem minha irmã veio me dizer que minha mãe chorou esses dias por comentar minha ida para São Paulo em fevereiro. Minha mãe é uma senhorinha de quase 60 anos, nascida na Bahia, que veio muito cedo com o meu avô para São Paulo. Aos 18 se casou e desse casamento, que durou uns 14 anos, teve três filhos. Está casada pela segunda vez com o meu padrasto há 22 anos. Por conviver muito com a minha avó italiana - mãe do meu pai -  ela tornou-se por isso, creio eu, protetora, passional e um tanto quanto dramática. Coisas da "italianada". E não adianta dizer que eu já sei me virar ou que isso e aquilo. O drama e o amor materno reinam ali. Moramos juntos há quase 31 anos, ou seja, desde que eu nasci e de uma hora para outra sair de casa, e da forma que eu estou saindo, demonstrando tranqüilidade, deve ser meio que um choque para ela, afinal em sua cabeça eu posso estar me arriscando e não ter noção disso tudo. Minha irmã ontem conversando com ambos disse: "Mãe, fique tranqüila! Até parece que a senhora não conhece o Alessandro. Ele sempre teve coragem de enfrentar as coisas. Se fosse eu não sairia do lugar". Isso porquê minha irmã é de escorpião...rs!

Por causa desse "fuá" de ontem eu comecei a reviver algumas coisas e, por isso, o início desse texto fala sobre as lembranças. Sempre fui muito independente e desencanado. Lembro-me que aos 10 anos ia à matinê aos domingos sozinho assistir aos filminhos infantis, tais  como "Os Goonies", "História sem fim", "Enigma da pirâmide", dentre outros. Depois que ela me ensinou o caminho - em que ponto descer, chegar até o cinema e voltar para o ponto de volta - ia como se tivesse indo ao mercadinho da esquinha. Mas não era um coisa do estilo "livre, leve e solto". Sempre rolou um lance de "você pode fazer desde que  me prove ter responsabilidade". Nunca tive medo de ir e vir, de arriscar, de tentar.

Vou ter que passar por isso e o fato de demonstrar uma certa tranqüilidade não significa que eu, como homem, filho, irmão, amigo, tio, profissional não esteja pensativo e reflexivo sobre as mudanças que ocorrerão na minha vida. Abandonarei um emprego de 11 anos, minhas referências e a cidade na qual vivo há 26. Amigos estarão distantes, não terei mais a família por perto, nem o cheiro da minha cama ou a comida da minha mãe. Mas a vida não é feita de desafios? Não quero ter medo de arriscar. Prefiro ouvir um "não" do que ficar na dúvida sobre a resposta não dada a uma pergunta não feita. Sempre digo, e li isso em algum lugar, que ou você escolhe ficar na platéia e assistir a vida dos outros, ali no palco, acontecer ou você se levanta e sobe ao palco para descobrir como será o final da história. Eu fico com a segunda opção!

 

Vou acrescentar mais um pouco nesse post. Acabei de vir do meu horário de almoço. Fui até a editora buscar algumas revistas que escrevi durante o meu estágio. Desde que acabou esse período nunca mais havia voltado lá. Na realidade, não passava nem na calçada. Mantenho contato com algumas pessoas que fiz amizade, mas tinha vergonha de volta lá...não sei porquê. Se quisesse voltaria para lá agora como temporário, mas minha vontade ir para São Paulo é maior. Minha editora acabou de me dizer isso, que minha presença foi muito boa ali dentro e que meu nome estaria cotado para voltar. Quando terminou meu contrato a psicóloga que seleciona os funcionários veio me perguntar se havia possibilidade de eu voltar em janeiro. Respondi negativamente, afirmando que iria para São Paulo. Fui sincero e não quis fazer joguinho. O que me intriga agora é ter uma porta aberta aqui e arriscar completamente em uma cidade onde é de conhecimento geral a disputa e a briga no mercado de trabalho.

Um gatinho para alegrar o meu dia:








- Postado por: alessandro às 10h51
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Sexta embarcamos para a chácara. O quarteto chegou até o local apreensivo e, apesar do lugar ser há 20 kil. da minha casa, o mesmo é rodeado por um selva sem iluminação alguma, a não ser a do luar. Depois de meio hora analisando o local decidimos em uma assembléia que durou cinco segundos a voltarmos no dia seguinte. Para mim, até cobras e escorpiões haviam ali. Na manhã seguinte, após uma noite bem dormida em casa na qual a fofa da Aline não roncou...rs...fomos em direção ao "paradise", juntamente com o Fer Tavares. Depois de uma invocação espiritual e uma boa dose de martini, as "ditas" baixaram nos três e demos um trato no local. Assim que tudo tinindo de branquinho, as caravanas começaram a chegar. A noite rolou a festinha com direito a mais algumas caravanas. Decidi ir dormir em casa: minha renite não permitiria sentir o cheiro agradável(?) dos colchões ali postos. No domingo, após um bom descanso, eu e a Lili Carabina embarcamos no "Antônio" e pegamos a rodovia. Dois minutos depois o pneu estourou. E o pior: meu estepe estava murcho. Ligo pra mãe, ligar para a irmã que mandou o cunhado leonino até lá. Entro no carro dele, a Aline fica na rodovia, e no meio do caminho conversamos sobre livros, especificamente "O código da Vinci". Na borracharia, pintassilgos, canários-do-reino e canários-da-terra engaiolados. O borracheiro, em um papo entusiasmado com meu prestativo cunhado(não é irônia), começou a dissertar sobre pássaros...isso tudo com apenas uns três dentes na boca e em um local que parecia mais a convenção milenar das moscas de todo o universo...uma hora pensei que elas fossem me levar para dar uma voltinha pelo céu azul roial, que lá estava. Conserta o estepe, volta para o carro do cunhado e, depois de um bronze forçado no melhor estilo "sou vermelho mesmo", encontro a fofa dormindo em plena rodovia em um carro suspenso por um macaco e sem um pneu...vá entender?! Uma hora e meia depois (entre sair, furar pneu, tocar pneu e chegar lá) chegamos ao "paradise" e como a única solução era relaxar, embarquei em uma, duas doses de whisky com guaraná. Em seguida mais umas quatro de martini rose. Nesse meio tempo eu já havia pulado na piscina com a roupa do corpo, dado carona de cavalinho pro Fer e dividido a mesma bóia de caminhão (isso é coisa de pobre, mesmo!) com o Marcelo, irmão do Fer. O domingo valeu por todos os dias! Relaxei geral e ainda curti a galera.

Dia 31 embarcaremos novamente para o "paradise". Com direito a ceia de Ano Novo, amigo secreto nada tradicional e muita cachaça na bagagem. Para quem não bebeu até os 25, tenho a impressão de que estou tirando o atraso...rs. 

Ontem fui ver "A sétima vítima" com a Lili Carabina. Filme médio com direito à alguns pulos da cadeira. Enquanto estavamos no cinema um dilúvio caiu em Bauru. Vimos até muro caído sobre carros. Jisuis!








- Postado por: alessandro às 10h37
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